domingo, 21 de março de 2010

A saga dos "paraíbas"



Já tem alguns dias que eu estou pensando numa pauta para o blog. Eu planejava escrever sobre os royalties do petróleo, mas resolvi escrever sobre outr tema.

Depois de conhecer o blog do Sakamoto, que eu até indiquei aqui, e conversar com uma amiga que atualmente mora em São Paulo, decidi escrever sobre xenofobia. Mais especificamente, o preconceito aos nordestinos na região Sudeste.

Não é novidade para ninguém que os nordestinos não são muito bem vistos fora da sua região de origem. Existe um pré-conceito de que todos são cabeça-chata, ignorantes e somente sabem comer rapadura e farinha. A única utilidade seria de aumentar a densidade demográfica nos grandes centros.

Quando alguém toca no assunto, vem sempre um milhão de paulistas e cariocas dizer que esta é uma visão equivocada. Que ninguém jamais "atirou uma pedra" nos "paraíbas".


Mas, aí é que está. A agressão maior está nas palavras. Primeiro, ao deixar sua terra natal, os nordestinos dos nove estados se tornam uma massa única de "paraíbas" ou "baianos". O sotaque diferente, fruto da diversidade cultural do Brasil-continente, é motivo de chacota, como se houvesse um jeito certo de falar (somente esse ponto da diversidade linguística já dá um post, mas deixarei para um futuro próximo).


Já li diversos comentários preconceituosos no Orkut. E ao se defenderem, os nordestinos são acusados de iniciarem esse processo xenofóbico, pois não sabem distinguir uma "piada" de afirmações. Então tá. Chamar um afrodescente de "macaco" também é uma brincadeira.


Em segundo, o nordestino é taxados de despreparado e preguiçoso. A ele são destinadas as piores jornadas nos trabalhos mais pesados. Emprego para "paraíba" é de pedreiro, porteiro, motorista, doméstica, babá. O sonho de um vida melhor que motiva a migração, se torna pesadelo na vida indigna destinada aos nordestinos nos grandes centro do sul-sudeste.


Se entram para uma grande universidade é por causa das cotas. E parece que ninguém se dá conta que este cenário é frutos de anos de distorções sociais. Historicamente, mesmo sendo a primeiro região a ser colonizada, o nordeste sempre foi deixado de lado na hora dos investimentos.


Bom, mas o propósito deste texto não é aprofundar ainda mais essas diferenças entre as regiões. O que eu proponho é a promoção ao respeito mútuo. Deixar de fazer uma infeliz "brincadeira" já é um começo. Além disso, perceber que na maioria das vezes, a migração se dá por falta de opção. Noventa porcento de quem saí do nordeste não gostaria de fazê-lo.


Por último, digo que não se trata de um artigo científico. A base deste texto é simplestemente o senso comum e as experiências de quem nasceu e viveu boa parte da infância em São Paulo.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Um blog que merece uma visita...

Resolvi cuidar melhor do meu blog, afinal é o MEU espaço na internet.
Para começar, vou indicar outros diários virtuais. Mas, somente quando encontrar algum em que realmente valha a pena ler os posts e nos instigue a comentá-los. Pelo menos um eu já encontrei.
O blog do Leonardo Sakamoto, um jornalisto engajado em causas sociais e que discute em seus os problemas da sociedade. Então, o endereço:
Inclusive, o post mais recente trata dos inúmeros comentários intolerantes e preconceituosos que o seu blog recebe.
Fica a dica.

terça-feira, 16 de março de 2010

Salário de jornalista: R$510




Quando em 17 de junho do ano passado o Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucional a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista, um questionamento me veio: "como serão as relações trabalhistas na categoria daqui "pra" frente?" Aumento da oferta de jornalistas, como consequência, salários mais baixos e condições de trabalho cada vez mais precárias tornaram-se certezas minhas e de toda a classe. Mas, a esperança me fazia acreditar que nossas previsões estariam erradas. Infelizmente não. Há alguns dias me deparei com um fórum de discussão no orkut com o link para o edital do concurso público da prefeitura de Cabedelo - PB. O certame oferece vagas para, dentre outros, jornalistas e publicitários. O salário? R$510 para 40h/semanais! Requisitos: Ensino MÉDIO completo e registro no DRT!


Preciso escrever mais alguma coisa?