terça-feira, 13 de abril de 2010

Criminalidade juvenil: quem roubou primeiro.

Tantas coisas para dizer e meu blog ficou sem atualização por quase um mês. Trabalho, estudo, preguiça. Tudo isso contribuiu para eu deixar esse espaço às moscas (virtuais, claro). Mas, hoje eu não quero falar sobre a correria cotidiana ou as intempéries do Jornalismo. Algo me preocupa mais neste momento: o número crescente de crianças e adolescentes na criminalidade.
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No último final de semana, a polícia da minha cidade, em operação especial, recolheu 17 adolescentes acusados de cometer assaltos, portar armas e perturbar a ordem social do pacato município do interior baiano. Segundo fontes, os policiais investigaram e levantaram a ficha dos menores que vinham assaltando pequenos comércios, estudantes, aposentados. A notícia para mim foi um choque! Claro que tenho consciência de que a entrada no mundo dos crimes acontece cada vez mais cedo. E, é por isso que eu fico preocupada e a prisão destes 17 garotos despertou uma vontade de tocar neste assunto. No entanto, o motivo da minha preocupação tem a ver com a causa desta situação: a inércia do Estado. Pergunto-lhes: O que fez o Estado para evitar que as coisas tomassem este rumo? E agora que não dá mais para disfarçar que estamos perdendo nossos jovens para o tráfico, o que ele fará para mudar este quadro?
Apontar como culpado o fator psicológico, isto é, que se trata de uma questão de caráter e não de oportunidades (ou a falta dela), é fácil. Eximir-se da responsabilidade sobre o espaço que o crime ocupou na sociedade brasileira é inadmissível. Acreditar que a solução está no internamento dos infratores em instituições que servem mais como escola da violência do que lar de recuperação da dignidade é uma leviandade!
E, para mim, toda a responsabilidade desta situação é do Estado. Foi ele que adotou esse sistema de exclusão, que marginaliza uma parcela significativa dos cidadãos. Que não oferece educação de qualidade, saúde, saneamento básico, oportunidades dignas de trabalho. Que ao invés de fazer o que é seu por DEVER e do cidadão por DIREITO, continua com políticas que só favorecem os já favorecidos. E quando a “bomba” estoura se esquiva de sua responsabilidade. Os deslizamentos de terra nas grandes cidades são um bom exemplo disso. A culpa nunca é do Estado que não investe em planos habitacionais para os moradores das favelas. Os culpados são os favelados, que constroem suas casas nos lugares indevidos e depois vão reclamar quando perdem tudo numa enchente! Agora, me respondam: Este não é o discurso das autoridades?

(Eu me propus a escrever sobre a criminalidade entre as crianças e os adolescentes e acabei abordando essas tragédias “naturais” porque tudo está interligado.)

Bom, eu poderia escrever um tratado sobre o tema, mas prefiro me ater a este post. Diversos filósofos, sociólogos e historiadores já escreveram mais profundamente sobre essa realidade e muito bem, por sinal. O que eu proponho é que vejamos as coisas sob uma nova ótica; que analisemos os acontecimentos mais a fundo; que na hora de expor nossa revolta, façamos para os políticos, aqueles que ganham milhões para, no final, culpar o marginal por todas as mazelas do mundo. Que a revolta maior aconteça quando a justiça dá cela especial, regalias e habeas corpus para quem nos furta, silenciosamente, a dignidade humana. E depois nos encarcera em nossos próprios lares como condenação a termos criado “marginais”.